09/10/2007

Pagar com o celular é a última moda nipônica

Um dos aspectos mais particulares do povo japonês é a paixão pelo celular. Muito mais do que um mero dispositivo de comunicação por voz, o celular é uma janela para o mundo, uma ferramenta de interação social, uma ferramenta vital para saber o que acontece no mundo e até um instrumento de expressão pessoal.Além de usar o telefone para se comunicar em silêncio, teclando rapidamente mensagens de texto nos vagões lotados do metrô, o japonês faz tudo com seu aparelho.
A alta velocidade das redes de telefonia celular no país permite que se baixe todo o tipo de informação no telefone. Meteorologia, as últimas notícias, as condições do trânsito e até o que vai passar na televisão, todas essas informações dividem o concorrido espaço da telinha dos celulares nipônicos com bate-papos simultâneos com várias pessoas.
É difícil não encontrar alguém no metrô ou no trem-bala sem estar de olhos grudados no que rola no aparelho. Até mesmo os games, outra paixão, têm lugar garantido no celular. Jogos 3D em alta definição, com gráficos comparáveis ao portátil PSP, entretêm os mais jovens no curto período entre uma mensagem de texto e outra.
Agora, a última mania com o celular por aqui é fazer pagamentos usando o aparelho. Isso não é exatamente uma novidade (até no Brasil é possível fazer isso), mas a naturalidade e rapidez com que isso acontece no Japão impressiona.
Enquanto corre para pegar o metrô, o cidadão compra a passagem online. Instantaneamente, um código de barras especial é enviado para o celular. Nas catracas, um leitor de última geração registra o código da tela do aparelho e libera o acesso. O tempo total da transação? Cinco segundos. É tão rápido que demora para um ocidental destreinado entender o que acontece.
No Japão, não há tempo a perder. O sistema de pagamento com celular funciona também com algumas das centenas de milhares de máquinas automáticas de venda de produtos que se espalham por todo os lugares. Pasme: dá para usar o celular para comprar um novo celular, que também é vendido em máquinas automáticas. Até iPods podem ser comprados dessa maneira. E aqui os designs da Nokia, Motorola e Samsung praticamente não têm chance.
O japonês tem um gosto muito específico para celulares. Aparelhos quadradões, do tipo flip, com enormes telas verticais fazem a cabeça do pessoal daqui. Os três sistemas do país, entre eles um 3G, oferecem câmeras integradas, além de reprodutores de vídeo e MP3. Assistir TV digital de graça no celular é corriqueiro, já que a nova geração de aparelhos já conta com um sintonizador embutido.
O que diferencia os aparelhos são as cores e os toques. O exército de jovens engravatados vestidos com ternos pretos ou tailleurs sóbrios que toma as ruas na hora do rush se comporta como uma única massa replicante até entrar no vagão do metrô. Quando puxa o aparelho do bolso, o "salaryman", nome dado ao assalariado engravatado que forma grande parte da força de trabalho média do Japão, se torna um indivíduo novamente.
Finos lingotes de metal violeta, vermelho, laranja e verde-limão saltam dos bolsos com um ágil movimento, resgatando instantaneamente a individualidade. Os "phone straps", ou chaveirinhos de celular, são o ponto final da personalização do aparelho. No Japão, existem milhares de tipos, com frases engraçadas a personagens de animês e mangás.
E mesmo com tanta personalidade externada pelo celular, o japonês raramente faz contato visual em locais públicos. Seria o celular uma espécie de escudo contra a solidão ou simplesmente uma pantomima de contato humano? Só sendo japonês para saber. As informações são do O Estado de S. Paulo/Link

Nenhum comentário: