
Se em terra de cego quem tem um olho é rei, no reino da internet (conhecida terra-de-ninguém, da explosão de informação desorganizada e nem sempre confiável), quem tem boas idéias e disposição para encarar a manutenção de uma publicação virtual pode construir um blog bem-sucedido. Está certo que blogs não são veículos de comunicação de massa e nem pretendem ser, já que tiram proveito exatamente dessa característica pessoal e direta dos escritos; mas também não desprezam a audiência, já que a monetização (fazer dinheiro com o blog) é palavra de ordem para os blogueiros mais antenados. Também são cada vez mais comuns premiações que apontam os melhores, mesmo entre tantos blogs diferentes, voltados a públicos diversos. Então, algo deve haver de comum entre os endereços que conseguem a façanha de se destacar entre os estimados 40 milhões de blogs que existem no mundo, segundo estimativas dos próprios blogueiros. “O segredo é ouvir. No blog, você tem que ouvir mais do que falar.” Objetiva e direta, como o autor da dica, essa é a palavra de Marcelo Tas, jornalista há 24 anos, criador do Blog do Tas (www.blogdotas.com.br), eleito o melhor blog em língua portuguesa na premiação Best of Blogs (Bobs), da rede alemã Deutsche Welle. O trabalho de Tas (conhecido por suas incursões na TV Cultura em programas como Vitrine, Rá-tim-bum, e no jornal de emissora) também foi laureado com a escolha da audiência, como melhor weblog do planeta. “O blog é muito pessoal. Basicamente faço a tradução do noticiário, com uma linguagem mais despojada, direta e divertida, que é, na verdade, o único jeito que eu sei fazer. E o foco também cai sobre a revolução digital e questões políticas”, conta. Os critérios para escolha dos melhores nas 15 categorias do Bobs não fogem muito ao que se deveria esperar de qualquer veículo de comunicação (veja o quadro sobre critérios de avaliação). O apreço por inovação e estratégias de interatividade, contudo, é o que sela o maior desafio de quem publica textos, imagens, podcasts, vídeos e o que mais falta para ser inventado, em diários eletrônicos. “O termômetro da participação do público é imediato e essa relação é muito positiva”, diz Tas. No site pessoal do autor, a provocação dá o tom: “Finalmente, virei o Roberto Marinho de mim mesmo”. Tas explica: “Com a internet, cada um de nós pode ser o proprietário de seu próprio veículo de comunicação”. E o que, para muitos, é só um hobby pode, como no caso de Tas, ser profissão. Parcerias com grandes portais podem patrocinar o surgimento dos chamados pro-bloggers, que são pessoas que vivem usam seus blogs para ganhar dinheiro. E uma estratégia mais simples, a adesão aos anúncios do Google, o Google Adsense (www.google.com/adsense), é a sensação entre os blogueiros que pode transformar a prática em um bom negócio. Os anunciantes pagam por cliques, na chamada publicidade contextual – o Google mapeia o conteúdo da página e indexa anúncios relativos ao tema abordado. A chamada monetização causou discussões acaloradas no último BlogCamp, encontro nacional de blogueiros, realizado, dessa vez, em Belo Horizonte. Cerca de 50 autores de diários eletrônicos, principalmente do Sudeste, debateram, no formato de desconferência (sem determinação de assuntos e palestrantes previamente agendados), a polêmica: os blogs devem se vender ou não? “Há quem ache que a credibilidade dos blogs pode ser abalada com anúncios e matérias pagas. E há quem pense que não há problema na prática, contanto que o leitor seja informado de que tal texto é patrocinado”, resume Camila Cortielha, uma das organizadoras do encontro em terras mineiras. Blogueira há sete anos, Camila sempre atualiza o Petulância (www.petulancia.blogspot.com). “Mas, quando comecei a blogar, fazia um típico diário adolescente”, confessa, acrescentando que o dito primeiro blog já está devidamente deletado. Ainda que sua página esteja hospedada no Blogspot (http://www.blogspot.com/), Camila aponta o Wordpress (http://pt-br.wordpress.com/) como o provedor mais procurado por novos blogueiros: “A ferramenta deles é mais flexível, com mais layouts e opções menos engessadas para editar o blog”. Para um blog ser bem-sucedido? “É preciso definir um assunto a ser abordado (tecnologia, música ou cinema). Atualizar com freqüência. E a linguagem deve ser correta e interessante, um estilo bom, texto descontraído”.
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